Por que a inversão d = 1/π mente (e o que o Gaia realmente mede)
A paralaxe de uma estrela não é um número inocente.
Se π = 4,0 ± 1,5 mas, a distância 1/π = 250 pc parece limpa. Não é. A transformação d = 1/π é não-linear: o valor esperado de d não é 1 do valor esperado de π, e o intervalo 1/(π±σ) nem sequer é o intervalo de credibilidade.
Quando σ_π/π passa de ~0,2, a conta certa é bayesiana, com um prior galáctico (Bailer-Jones et al.). O Gaia DR3 publica π, não d, por esse motivo.
Isso não é pedantismo. É a diferença entre um mapa da vizinhança solar e um catálogo enviesado para estrelas “perto”. A formação que estou publicando começa exatamente aí: unidades, ICRS, extinção, e só então Kepler, estrutura estelar e ΛCDM.
Se você ainda trata magnitude absoluta sem A_V, o resto do modelo é teatro.
