Por que a maioria trava em TI no primeiro emprego
No primeiro emprego de suporte ou infra, o erro mais comum não é falta de comando. É diagnosticar na ordem errada.
O chamado chega: "a internet caiu", "o PC não liga", "o sistema está lento". O técnico pula direto para reconfigurar DNS, reinstalar driver ou formatar. Perde uma hora. O cabo estava solto. Ou o disco estava a 100%. Ou o cabo de rede estava no switch errado.
Ordem que eu ensino — e que o mercado cobra:
1. Hardware primeiro
Antes de mexer em software, confirme que a máquina existe fisicamente no estado que você imagina.
Energia: fonte, cabo, botão, LED, beep.
Disco, RAM, temperatura, cabo SATA/NVMe.
Placa de rede: link light no NIC e no switch.
Se o hardware não está íntegro, qualquer ajuste de SO é teatro.
2. Sistema operacional depois
Com hardware ok:
O SO sobe? Kernel panic, tela azul, falha de boot?
O serviço relevante está no ar? Rede local, DNS do host, firewall do próprio sistema.
Recurso: CPU, RAM, disco, I/O. Disco saturado parece "rede lenta".
Log do sistema no horário do incidente. Não chute.
3. Rede por último, e em camadas
Só então a rede:
Link físico (camada 1): cabo, porta, negociação.
Endereço (camada 3): IP, máscara, gateway. Ping no gateway, depois no DNS, depois no destino.
Nome e política: DNS, firewall, proxy, VLAN.
Ping em google.com sem pingar 8.8.8.8 mistura DNS com conectividade. Separe.
Regra prática: se você não consegue apontar em qual dessas três camadas o problema mora, você ainda não diagnosticou. Você está tentando sorte.
Essa ordem é o que separa técnico de operador de ticket. Na formação a gente treina isso com casos reais, não com lista de comandos decorada.
Instrutor CIA
